(...)
Primeira página sempre causa certo desconforto.
Encantamento. Medo. Excitação.
Sentimentos dignos somente de grandes estreias.
Está tudo ali: disponível. Em branco.
À espera da palavra. Da promessa. Do grande ato inaugural.
(Escrever é um abismo.)
Por isso começo sempre na segunda página.
Que na verdade é primeira mas funciona sem ser.
É como se o peso da responsabilidade desse uma volta
e me permitisse escrever sem medo de violentar o vazio.
Palavras me inventam.
(O que será que eu reservei para mim?)
